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Especial Dia Nacional do Livro: O desafio de uma leitora em criar leitores.


Idos dos anos 1980, subúrbio carioca, eu, uma jovem de 14 anos numa tarde de tédio, sem nada de bom na TV. Achei um livro de capa bege, usado, comprado no sebo.  Nenhuma foto, de brochura, letras miúdas e nenhuma indicação da sinopse...
Essa tarde de tédio transformou minha vida.


O livro era “O Reverso da Medalha” de Sidney Sheldon, provavelmente hoje o livro não teria tanto impacto, mas naquela época pré-TV a cabo, pré-internet, o livro foi uma descoberta e tanto: aventura, dinastia, traição, lugares inimagináveis. Foi assim que me tornei uma leitora assídua, sócia de mais de quatro bibliotecas.


Vim de uma família que não lia muito, mas que lia. Havia alguns que liam mais, outros que não pegavam num livro, mas eu me tornei a leitora compulsiva da casa. Eram quatro horas de condução entre ida e volta para o trabalho e vários estratagemas literários.  As segundas feiras eu lia o jornal de sábado e domingo. A partir de terça era a “Veja” ou “Superinteressante”, caso estivesse em pé; e um livro caso conseguisse um lugar para sentar, mas se o livro fosse muito bom e não fosse pesado, poderia lê-lo em pé mesmo (andava num trem que às vezes era muito cheio).

Nos anos 1990, quando minha sobrinha tinha por volta 7 anos, me empenhei em fazê-la gostar de ler. Peguei o livro da Pollyanna (que considero quase um livro de autoajuda) e fomos juntas para um quarto sem televisão onde o líamos em voz alta como num teatrinho. Ela era a Pollyanna e eu fazia a narração e a voz de todos os demais personagens. Assim, fazíamos a entonação prestando atenção ao tom de voz adequado aos diálogos. O livro possuía 184 páginas, não li todo com ela, mas sei que aqueles momentos foram prazerosos, e que em algum momento da vida ela o finalizou. Nessa mesma época a levei à biblioteca pública do meu bairro, onde havia uma estante de livros infantis. Lá ela se interessou pela coleção “O Pequeno Vampiro”, uma coleção com mais de 6 livros, com média de 130 páginas cada um e apenas duas ilustrações por volume.  Hoje ela se tornou uma leitora ávida, na verdade, reconheço nela uma amante de livros, sua intimidade com as palavras a tornará uma brilhante jornalista.

É visível que na época não ter opções foi o que nos fez gostar de ler, mas e hoje que o jovem tem às mãos uma infinidade de ferramentas multimídias?

Estamos no Séc. XXI, época dos 140 caracteres do twitter, da interação, dos leitores de ebook multifacetados.  Não sou visionária de tendências, não estou dizendo que será o fim do livro físico, da revista ou do jornal impresso, mas hoje eu só leio em ebook (e amo), posso tecer vários argumentos sobre as vantagens de ler por essa plataforma. Sei também que ler exige desligamento. Não falo de se isolar e ler, já li em lugares movimentados, barulhentos e com música, mas ler exige concentração, exige que mergulhemos nesse mundo por horas. Vim de uma geração sem internet, minha sobrinha de uma geração onde internet existia, mas não era móvel. Amanhã, minha filha de dois anos será uma adolescente da geração da completa mobilidade; o acesso será mais fácil, porém a concentração, talvez, menor. Sem falar na dificuldade de convencer a ler um livro que mal lançou e já saiu no cinema.

Meu desafio agora será fazê-la gostar de ler, tanto ou até mais que o usar o smartphone. Hoje compro livros para idade dela que são verdadeiros brinquedos. Quando chegar à época dos livros de verdade, quais serão aqueles que ela gostará de ler? Quais que sairão na versão cinematográfica, porém serão melhores na versão escrita? Quais ela não achará tão desatualizados, tão fora da realidade século XXI?

Serena e o Livro João e Maria

Esse é meu desabafo. Hoje, no Dia Nacional do Livro, me pego a refletir se conseguirei meu intento. Ler é meu hobby, não é obrigação, é um prazer tanto ou maior que cinema, série ou televisão. Eu sou leitora e quero criar leitores.  

6 comentários:

  1. Que história bonita :)

    Por mais que possa ser difícil, vale muito a pena incentivar as crianças à ler desde cedo. Muita sorte com sua filha linda, que ela se torne uma grande mulher e uma assídua leitora.

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  2. Muito fofa a sua filhota!
    Acredito que vale a pena incentivar sim. Muito. Acredito também, que algumas pessoas já nascem com uma forte tendência a gostar de ler. O caminho é natural.
    Mas como não sabemos quem será assim, incentivar, motivar é nosso dever como pais.
    Por que ler é muito bom! Muito legal sua história! ��

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  3. Obrigada Alessandro!
    Fran fico tentando entender porque em algumas famílias, apesar dos pais incentivarem, não são todos os filhos que viram leitores assíduos. Vou motivar o máximo possível, vou tentar sempre.

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  4. Bem colocada a sua preocupação, Gi. Cresci em uma casa em que os únicos meios de entretenimento eram o rádio e a TV. Parar e se concentrar, até mesmo estudar, naquela época, era bem mais fácil. Hoje em dia sinto certa dificuldade, são tantas coisas interessantes para aprender, tantos sites curiosos para se visitar, tantos jogos divertidos, fica difícil decidir a que dedicar meu tempo e em que momento. Mas acho que fica mais fácil em se tratando de crianças porque os pais é que deverão direcioná-las, elas não precisam ser apresentadas a tudo ao mesmo tempo, o controle é dos pais e eu acho que, em se tratando de leitura, os meios tradicionais, livros impressos, são um bom início para uma criança.

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  5. Obrigada Elisangela! Também uso uma outra estratégia aqui em casa: Deixo minha filha ter acesso aos livros (aos meus), não os guardo como um bibelô, sei que algumas pessoas podem achar absurdo macular os livros, claro que explico que livros não podem ser rasgados, que deve-se evitar escrevê-los, mas não puxo meus cabelos se isso acontecer. Aprendi a desencanar com meu marido que explicou que não podemos impedi-la de explorar os livros.

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  6. A leitura faz parte de minha vida. Quando descobri que estava grávida, comecei a ler em voz alta, para ler pro meu bebê. Agora que o Miguel saiu de minha barriga, leio para ele vez ou outra. Como ainda tem só três meses, não consegue ficar muito tempo quieto, mas sorri e presta atenção enquanto leio. Provavelmente essas leituras de agora não terão muita influência nele, mas já quero ir o habituando a esse lindo hobby.
    Beijinhos

    Vidas em Preto e Branco 

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