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A Evolução das Princesas da Disney




O papel das mulheres na sociedade mudou muito nos últimos 70 anos, e as Princesas da Disney acompanharam essa mudança, evoluindo junto com esse novo paradigma.

         Branca de Neve, a primeira princesa surgiu no filme “Branca de Neve e os 7 Anões”, de 1937. Era uma moça ingênua, que não via a maldade na própria madrasta, amava todas as pessoas, era pura e tudo mais que uma sociedade patriarcal desejava nas mulheres. É interessante notar que precisava de um homem para salvá-la em todas etapas da história. Primeiro o Caçador, que por pena a deixou viver, depois os anões que a acolheram e se tornaram uma figura paterna e por fim, o Príncipe que, com seu beijo libertador, se torna o seu amor e vivem o famoso “felizes para sempre”, no qual a mulher depende de um marido para ser feliz.

         A princesa Aurora, do filme “A Bela Adormecida” (1959) é mais emblemática, seu papel na história é furar o dedo numa rocar e literalmente esperar dormindo ser salva pelo seu “Príncipe Encantado”, papel mais secundário impossível; embora o nome do filme seja uma referência ao seu papel, ela representa bem o papel de uma mulher submissa e inerte que não toma muitas iniciativas em sua vida.

         Essa inércia começa a mudar Ariel A Pequena Sereia (1989), versão da Disney de um clássico de Hans Cristian Anderson, dessa vez a Ariel que salva o príncipe no começo do filme, e luta para se tornar humana e poder encontrar o seu amor; percebe-se que aí há um poder feminino, mas o final ainda passa a mensagem que é preciso um “Príncipe Encantado” para que haja um final feliz.


         Antes de prosseguir, um esclarecimento, pode parecer que estamos sendo injusto com as produções, uma vez que os príncipes também precisam das princesas para terem seu “felizes para sempre”, mas o que queremos enfocar aqui é que as heroínas das animações voltadas ao público feminino dessa época, só tinham essa opção de felicidade, o que não acontecia em animações voltadas aos meninos – como é o caso de “Toy Story” (1995) e “Irmão Urso” (2003).

         Assim como Ariel, Jasmine (Aladdin, 1992) e Mulan (homônimo, 1998) também fogem do esteriótipo de donzela frágil que precisam de um homem para salvá-la, que depois se casam e vão ser felizes. Mas, insistem que só há final feliz com um “Príncipe Encantado”.

         A primeira Princesa que não tem esse destino é Pocahontas (homônimo, 1995), embora haja um envolvimento romântico com um  personagem do sexo masculino, ela dá a ele outra perspectiva do mundo e não vai viver com ele (embora isso não seja espontâneo) e as meninas que assistem ao filme, percebem que é possível que uma mulher seja heroína sem precisar de um marido.

         Tiana (A Princesa e o Sapo, 2009) e Rapunzel (Enrolados, 2010) voltam à fórmula usada na década anterior, uma princesa e um príncipe que podem se salvar juntos – um  não depende do outro, e apresentam o mesmo final típico: o casal termina juntos e todos vão ser “felizes para sempre”.

         Quando parecia que esse seria o roteiro a ser adotado por todas as princesa da franquia, eis que surge Merida; embora o filme seja da Pixar, vamos encaixa-lo na categoria já que esta pertence a Disney; (Valente, 2012) a princesa que não quer casar e que mostra à sua mãe e todas as telespectadoras que uma mulher pode querer mais da vida que um vestido de noiva e um príncipe esperando no altar.


         Felizmente, não houve retrocesso como no caso de Pocahontas, a novidade se manteve em Anna e Elsa (Frozen, uma Aventura Congelante, 2013). Aqui, embora no começo Anna queira mesmo se casar e até termina em um relacionamento amoroso, junto com ela aprendemos que existem outras formas de amor e que uma mulher não precisa se casar com qualquer por impulso, uma grande lição!

         Embora não seja uma princesa, há uma grande personagem feminina da Disney que merece ser destacada: Malévola (homônimo, 2014) que é uma anti-heroína. De anti-heróis o mundo do Cinema está cheio, mas as mulheres costumam ser apresentadas como pessoas bondosas, maternais e altruístas. Agora que as meninas estão aprendendo que podem ser fortes e não precisam de um homem para salvá-las, é bom que aprendam que são humanas também e, portanto, podem ter falhas e fazer coisas não tão amáveis às vezes.

AUTOR PARCEIRO: ALESSANDRO BRUNO

9 comentários:

  1. Nunca tinha percebido isso, sério mesmo. Homens e mulheres têm suas diferenças, mas ambos são importantíssimos e belos nas suas particularidades.
    Quero mais posts sobre a Disney!

    Clara - Blog Incantevole
    clarabeatrizsantos.blogspot.com.br

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    1. Ok, Clara. Não sou um escritor oficial do Blog, mas de vez em quando escrevo por aqui. Quando der falarei mais sobre a Disney.

      Abraços, e obrigado pelo comentário.

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  2. Olá,
    Gostei bastante do post .. mas penso que todas as meninas esperam um príncipe que no fundo as salve porque bem é romântico :)
    De qualquer forma esqueceram-se de falar da Bela do filme "A Bela e o Monstro" que é ela que salva o príncipe encantado do triste futuro de permanecer um monstro e o filme saiu em 1991, por isso não são todas iguais. :)
    E já para não falar que ela era uma amante de livros.
    Beijinhos.*

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    1. Olá Mara,

      Obrigada pelo comentário; essa ideia de um príncipe e romântica sim, o problema que eu vi é a condição de se casar está atrelada à finais felizes para as meninas, e só para elas, uma mulher pode muito bem ser feliz sem um marido, mesmo que namore.
      Não conhecia esse filme, vou ver se encontro pra baixar. Obrigado pela dica.

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  3. Adorei o Post e já tinha feito essas associações mentalmente depois de Valente. Eu, feminista assumido, quando levei minhas irmazinhas para assistir ao filme em questão, fui pego de surpresa porque não conhecia a sinopse. Acho importantíssimo essa nova perspectiva para as crianças futuras. O romantismo é lindo, mas o que vimos nas telonas nunca é o amor puro, é um amor mercantilizado e isso não é saudável. Enfim... O amor próprio (Mérida) e entre duas irmãs (Elsa e Anna) é mais importante que qualquer outro. Adorei o texto. Parabéns!

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    1. Muito obrigado, Kaio. E concordo com você "O romantismo é lindo, mas o que vimos nas telonas nunca é o amor puro, é um amor mercantilizado e isso não é saudável. Enfim... O amor próprio (Mérida) e entre duas irmãs (Elsa e Anna) é mais importante que qualquer outro"

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  4. Super adorei o post, embora tenha sentido falta da bela, minha favorita. Hoje, já crescidinha, consigo ver com o casamento e a maternidade nos é imposta desde cedo. Espero que as coisas continuem evoluindo e que cada vez mais as princesas se tornem heroínas.
    Beijos

    Vidas em Preto e Branco

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