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Livros x filme: O Diário da Princesa


Quem nunca assistiu O Diário da Princesa? Foi um filme que fez bastante sucesso nos anos 200 (o filme é de 2001), aliás, ainda hoje é lembrado. A história da princesa do país fictício Genóvia – população 50 mil – encantou uma geração inteira.

A história gira em volta da adolescente Mia Thermopolis, que descobre que é a única herdeira da casa real Renaldi (Renaldo nos livros) ao trono de Genóvia. Ela agora precisa aprender a se tornar uma princesa para poder reger seu país um dia.

O que várias pessoas não sabem é que existem muitas diferenças entre a história original da série de livros da autora Meg Cabot e o filme da Disney. A história do segundo filme, O Diário da Princesa 2: Casamento Real, não é baseada em nenhum dos livros de Cabot, portanto não irei comentar sobre ele neste post.

Meg Cabot sempre me encantou com seus livros, a série A Mediadora foi uma das primeiras séries que eu li, depois de Harry Potter (sem contar séries de livros infantis). Após ver os filmes, há alguns anos, eu resolvi ler a “pequena” série: são 10 livros com Mia como personagem principal, e alguns outros “mini livros”, grandes demais para ser um conto e pequeno demais para ser realmente um livro da série.

Estes dias eu resolvi reler a série e rever os filmes, e fiquei particularmente intrigada com as inúmeras diferenças entre as histórias.

Primeiro: o local em que a história se passa. Nos livros, Mia vive em Nova York, mas nos filmes ela mora em San Francisco. Isso afeta bastante a história, pois nos filmes Mia tem um carro modelo Mustang, e já nos livros, Mia não quer um carro de presente porque é impossível (nas palavras dela) andar de carro por lá, por causa do trânsito, e que é melhor pegar o transporte público, que também é um jeito de preservar o meio ambiente.

Não irei entrar no quesito aparência, já que, pra mim, a não ser que seja realmente imprescindível para a história, mudar a cor de cabelo ou a cor dos olhos ou da pela não afeta muito a adaptação.

A personalidade da Mia dos filmes difere em várias coisas da Mia original dos livros. A Mia Thermopolis de Meg Cabot é uma ambientalista e feminista, vegetariana, que em troca de receber lições de princesa de sua avó, seu pai iria doar 100 dólares para o Greenpeace.


Aí vem outra grade mudança dos filmes: o pai de Mia, o príncipe Phillipe. O príncipe está vivo e muito bem de saúde, obrigada, já o que mostra no filme é que ele está morto. Nos livros, ele só conta à Mia que ela é a única herdeira dos Renaldo porque ele acaba tendo um câncer de testículo e acabou ficando estéril, sem poder ter outros filhos e herdeiros. O filme também menciona um divórcio entre Helen Thermopolis, mãe de Mia, com o Phillipe, sugerindo que eles chegaram a se casar, coisa que nunca aconteceu nos livros.

A avó de Mia também foi bastante descaracterizada. Nos livros, grandmère (segundo Clarisse, “grandma”, apelido de avó em inglês, é muito vulgar), que é avó em francês, é extremamente egoísta e mandona. No filme, ela dá a Mia a opção de recusar o posto de princesa, o que a Clarisse dos livros nunca faria, ela simplesmente diria que esse era o dever de Mia para com o povo de Genóvia, e iria obriga-la a aceitar o cargo. Mia geralmente tem que pedir intervenção do pai para conseguir se livrar dos planos da avó.

A Clarisse do filme é a rainha de Genóvia, já a Clarisse dos livros é a princesa-viúva, já que Genóvia é um principado, e sendo assim não tem rei ou rainha, apenas príncipe e princesa (pesquisa rápida na Wikipedia internet: Um principado é um território governado por um príncipe. É distinto de um reino, normalmente por ser um microestado, outras vezes porque não tem soberania total).

Outra coisa que me chamou bastante a atenção foi o quanto o papel de Michael Moscovitz foi diminuído nos filmes.

Michael é um personagem incrível: praticamente um Einstein. Um verdadeiro gênio, assim como sua irmã, Lilly (a melhor amiga de Mia). Nos filmes, reduziram Michael a um simples mecânico que tem uma banda nos horários livres (a parte da banda confere com os livros, difere apenas o nome da banda, que nos livros é Skinner Box, e no filme é Fly Paper).

Atenção, SPOILER dos três últimos livros da série: Michael acaba tendo que se mudar por dois anos para o Japão, para construir um braço robótico que auxilia na cirurgia cardíaca, e assim salvando milhares de vidas. Como que uma pessoa dessas acabou sendo reduzida à um músico mecânico????

A relação de Michael com Mia também não foi tão explorada no filme. Nos livros, Meg Cabot desenvolve essa relação aos poucos (apesar de que é falado que Michael já era apaixonado por Mia há algum tempo, e vice-versa), Mia chega a enviar cartas de amor anônimas para ele, mesmo quando ela já tinha um namorado, Kenny, que nem chegou a aparecer nos filmes, mas quando eles (Michael e Mia) começaram a namorar, Kenny e Mia já haviam terminado.

Já no fim do filme, Mia anunciou ao povo de Genóvia, durante um baile, que ela aceitava o cargo de princesa, e nesse baile ela e Michael finalmente ficam juntos. Nos livros, eles ficam juntos apenas no fim do terceiro livro, também em um baile, mas um baile da escola onde eles estudam, nada a ver com Genóvia. Ela é oficialmente apresentada como princesa ao povo de Genóvia no início do quarto livro, onde ela viajou para Genóvia durante as férias de Natal e ano novo (ela tem que viajar nas férias de verão e nas férias de fim de ano para lá como parte do acordo que fez com o pai para poder continuar morando em Nova York), e Michael não estava presente ali.

As personagens Lilly Moscovitz, amiga de Mia, e Lana Weinberger, a pessoa que Mia mais detesta, ficaram muito bem caracterizadas, assisto o filme e parece que essas duas saíram das páginas do livro para a minha TV. A cena onde Mia “esfrega” sorvete em Lana também aconteceu no livro, apesar de que as circunstâncias foram um pouco diferentes: no filme, Mia está defendendo seu amigo Jeremiah (que não existe nos livros), e nos livros Mia defende sua amiga Tina (que não apareceu no filme).


O filme O Diário da Princesa, como adaptação de um livro, deixa bastante a desejar, porém cumpre maravilhosamente bem o seu propósito principal: entreter o telespectador. Se você gosta do filme, tenho certeza que gostar ainda mais dos livros, assim como eu.

2 comentários:

  1. É um dos clássicos casos em que o final é baseado, mas é um baseado beeeeeeeem baseado mesmo, porque, né? Vi os filmes e li o primeiro livro, mas não tive nem metade da sua atenção em relação a eles!

    De qualquer forma, amei o post :)

    Clara
    @clarabsantos
    clarabeatrizsantos.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Sim Clara, 1% baseado apenas haha eu não tinha reparado nesses pequenos detalhes também, mas alguns dias atrás eu reli a série inteira e logo em seguida decidi rever o filme, como os livros ainda estavam frescos na memória eu não consegui não fazer comparações :)

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