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Norte e Sul: O livro e a minisérie

Autor: Elizabeth Gaskell
Editora: Landmark
Páginas: 544 (edição Bilíngue)
Nota: 5/5
Margaret Hale é uma mulher forte, filha de um ministro religioso, que se muda para a cidade de Milton, no norte da Inglaterra. Margaret vê o sul, lugar onde nasceu como símbolo do idílio rural, o triunfo da harmonia social e do decoro. Imagem que se contrapõe com o norte e seu ambiente sujo, rude e violento. Ela se depara com a difícil realidade da população local, encontra novas amizades e o surgimento de uma crescente atração por John Thornton, dono de uma fábrica têxtil.
Se você deseja um romance histórico, que possa suspirar por amor, eu indico a adaptação em forma de minissérie Norte Sul produzida pela BBC. Porém, se você deseja um romance social, um retrato histórico da revolução industrial inglesa, o livro Norte e Sul é a escolha perfeita, e sim, também possui uma pitada de paixão. 


No livro, publicado em 1855, podemos encontrar muitas referências à biografia da autora, Elizabeth Gaskell, na protagonista Margaret Hale: ambas são filhas de pastores que renunciaram a Igreja por motivo de consciência e após morar no Sul viveram em um ambiente industrial na Inglaterra, ao Norte do país.

A crítica social é um ponto forte do romance, o que mais me chamou atenção foi o nascimento de um sindicato, o esqueleto do que vemos hoje, no livro, Elizabeth descreve muito bem os dois lados: dos operários e dos industriais. É possível de antemão visualizar que um não vive sem o outro, é o inicio do modelo que vemos concretizado no século XXI.


Como representado no diálogo abaixo, entre Margaret, o líder dos grevistas Higgins e sua filha Bessy: 
“...– Mas por que fazem greve? – perguntou Margaret. – Entrar em greve é deixar o trabalho até que consigam os salários que desejam, não é? Não se espante com a minha ignorância, lá onde eu vivia nunca se ouviu falar de uma greve.
 – Quem dera eu vivesse lá – disse Bessy, com a voz cansada. – Mas não suporto mais ficar doente e cansada com essas greves. Esta é a última que vou ver. Antes que termine, já estarei na Grande Cidade, a Sagrada Jerusalém.
 – Ela só pensa na vida depois da morte, não vive o momento presente. E eu sou obrigado a fazer o melhor que puder aqui, como vê. Acho que mais vale um pássaro na mão que dois voando. E todos têm opiniões divergentes sobre a questão da greve.
– Mas lá no sul – disse Margaret – se as pessoas entrassem em greve, como você diz, ninguém semearia, não haveria feno nem colheita de milho, pois lá a maioria trabalha no campo.
– E daí? – disse ele. Voltou a fumar seu cachimbo, depois do seu “e daí” em forma de interrogação.– Bem, o que vai ser dos fazendeiros? Ele soprou a fumaça. – Imagino que ou vendem suas fazendas, ou pagam salários mais justos.
 – Suponha que eles não possam, ou que não façam o que acabou de dizer. Não poderiam todos deixar suas fazendas de uma hora para a outra, não importa o quanto quisessem. Mas não teriam feno nem milho para vender naquele ano. E de onde viria o dinheiro para pagar os trabalhadores?”
No texto, Margaret explica a diferença entre os trabalhadores rurais sulistas e os operários nortistas. No Sul,  há a consciência de que se não houver trabalho na época certa, todos passam fome e que antes do ato de greve em si, deve haver uma ponderação de ambos os lados: empregados e patrões.

Os fãs das obras de Jane Austen podem perceber uma crítica do Sul tão bem idealizado pelo universo dessa autora. Margaret era uma típica mocinha do campo, que ocupava seus dias com bordados, leituras e visitas aos pobres, após conhecer e se adaptar à vida numa cidade industrial, não consegue mais ver sua vida voltar ao que era antes.

Mr Thornton, o mocinho da história, também não é um cavalheiro típico da aristocracia, é um burguês, um self-made man, um homem que construiu suas indústrias a partir de seu esforço. Ao longo do livro conseguimos ver o quanto Margaret consegue mudar de opinião sobre ele e ultrapassar, vejamos só, seu Orgulho e Preconceito.

Para finalizar, eu também indico a minissérie, há suavidade nas questões sociais e mais foco no romance entre Margaret e Mr. Thorton, dá para sair suspirando pelo casal.

Um trecho magnifico da série e que não está no livro, é a carta que a protagonista escreve a sua prima de sua terra natal, contando sobre sua primeira impressão da cidade onde foi morar e as penugens de algodão constantemente expelidas das fábricas:

“Gostaria de poder te contar Edith como se sinto só... O quanto é frio e duro este lugar.... Por toda a parte há conflito... Indelicadeza. Eu acho que Deus se esqueceu deste lugar. Eu acho que vi o inferno... ...e ele é branco como a neve.”
Nota 5/5

Fan vídeo da mini-série:


4 comentários:

  1. Nina,
    Eu sou muito fã de Jane Austen e tenho um carinho especial pela Elizabeth Gaskell graças a North and South, acredito que a beleza desta obra precisa ser conhecida por mais pessoas. Parabéns por divulgá-la tão bem!
    Beijo!

    Gi,
    http://alemdoscaracoisdosmeuscabelos.blogspot.com.br/

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  2. Nina, confesso que eu já tinha interesse em ler o livro e assistir a minissérie, mas ainda não tive a oportunidade. E depois de ler sua resenha, que está uma delícia, fiquei com mais vontade de ler e assistir.
    Obrigada Nina :*

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  3. Boo graças a você conheci essa maravilha de história, me apaixonei pela série e agora quero ler o livro pq tenho certeza que vai fechar com chave de ouro. Amei a resenha e muito obrigada por me apresentar a este tesouro.

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  4. Boo somos amantes de bons livros e de fatos históricos, como começou as greves e o sindicato fatos interessantes da história, sua resenha ficou show, a série é incrível, amei a indicação, por enquanto só assisti a série mas ainda vou ler o livro, continue mandando bem assim. bjkas

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