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O Doador de Memórias – Vale a pena viver sem sofrimentos?



Título Original: The Giver
Direção: Phillip Noyce
Roteiro: Robert B. Weide
Ano: 2014
Duração: 1h37min
Nota: 4/5

Sinopse: Uma pequena comunidade vive em um mundo aparentemente ideal, sem doenças nem guerras, mas também sem sentimentos. Uma pessoa é encarregada a armazenar as memórias de todos, de forma a poupar os demais habitantes do sofrimento e também guiá-los com sua sabedoria. De tempos em tempos esta tarefa muda de mãos e agora cabe ao jovem Jonas (Brenton Thwaites), que precisa passar por um duro treinamento para provar que é digno da responsabilidade.

Uma vida sem sofrimentos, sem conflitos e sem memórias seria boa? E se o preço disso fosse sua liberdade de escolhas e capacidade de sentir emoções? Este filme debate sobre esses questionamentos de forma lúcida e coerente, com questões que vão além do âmbito político comum em distopias.

Um adolescente de hoje, acostumado com histórias sobre um futuro apolítico com zumbis ou cheia de ação e lutas (tipo a triologia Jogos Vorazes ou a série The Walking Dead) pode achar este filme meio lento, com muitos diálogos e pouca ação; mas isso não significa que ele seja chato ou pouco entediante. O que lhe falta em cenas de lutas, tiroteios e perseguições, sobra em situações dramáticas chocantes e polêmicas; como as sequências envolvendo bebês que são escolhidos e programados desde o nascimento para viver nesta ilusão.

Sim, ilusão, tal qual a Matrix dos irmãos Wachowski – os membros da sociedade não são oprimidos com violência ou subjugados por um governo ditatorial, como os habitantes do mundo das máquinas: eles estão presos em suas zonas de confortos e vivem a ilusão de uma sociedade perfeita, tanto que para serem libertos é preciso primeiro que suas memórias sejam devolvidas e que sejam convencidos de que não vivem de verdade, apenas sobrevivem. 

Deu para perceber como é uma história cheia de analogia, a própria existência de uma figura que guarda as memórias e que deve ser doutrinado para mantê-la em segurança, sem revelar nada aos outros, lembra e muito a História Oficial, que todos governos sempre procuram guardá-la e mantê-la sob controle, de modo que os detentores não revelem o que não é de seus interesses; todos os governos fazem isso.


O final é muito aberto a cheio de temas para discussões – se você gosta de filmes de ação, essa parte deve lhe agradar muito pois é a parte onde este recurso é mais utilizado – as memórias voltaram, e agora? Será que os moradores tão acostumados com uma vida pacata e sem sentimentos vão gostar de viver assim? Não lhes foi dado escolha, isso também não é agir como um ditador se metendo na vida pessoal das pessoas? E se Jonas estiver errado e a vida deles for melhor assim, agora que não tem retorno?

Como se vê, é uma obra muito interessante que pode render boas discussões e ainda conta com doses de ação, romance e boas interpretações. É um filme que merece ser assistido, pena não ser muito conhecido.

2 comentários:

  1. Oii, adorei, já estou te seguindo, bjos.

    yuugracindo.blogspot.com.br/

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  2. 'O Doador de Memórias' é uma das adaptações literárias que eu mais tenho curiosidade de assistir, mas eu queria ler o livro antes, o problema é que é uma série de quatro livros e eu só acho o primeiro que é 'O Doador de Memórias', provavelmente log eu não vou aguentar a curiosidade e correr para assistir o filme mesmo sem ler o livro.
    xoxo

    http://planeta94.blogspot.com.br/

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