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Éramos Seis: Belo, triste e emocionante como a vida


Autor: Maria José Dupré
Editora: Ática
Ano: 1973 (18ª ed.)
Páginas: 258
Nota: 4/5

Sinopse: A história de Dona Lola e sua família, uma bondosa e batalhadora mulher que faz de tudo pela felicidade do marido, Júlio, e dos quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Maria Isabel. A vida de Dona Lola é narrada desde a infância das crianças, quando Júlio trabalha para pagar as prestações da casa onde moram, passando pela chegada dos filhos à fase adulta e de Dona Lola à velhice.

Quem conhece os livros da Série Vaga-lume, sucesso nas décadas de 1980-90, sabe que são histórias de aventuras, vividas por jovens corajosos e com muita ação. Embora pertença a essa série, esse livro é diferente, narra outra grande, perigosa e emocionante aventura: a vida em família.

A história começa em 1942, com uma senhora idosa olhando uma casa na Avenida Angélica, uma via antiga e cheia de história de São Paulo. Essa senhora é d. Lola, a narradora-personagem que conversa com o leitor e explicar que viveu muitos anos nesta casa, com seu marido Júlio e seus quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Isabel. Ao longo do livro, ele vai lembrando e refletindo sobre sua vida, as dificuldades que passou e o rumo que cada filho tomou desde que se mudaram para aquela casa quando os filhos eram pequenos até a data atual cerca de 30 anos depois.

Não são pessoas excepcionais, não se destacam em nada de nenhuma família da época e não fazem grandes realizações, seus problemas também são parecidos com os problemas que qualquer pessoa normal em sua situação socioeconômica teria. Apesar dessa simplicidade, é uma história interessantíssima que prende o leitor a cada linha, ora deixando-o apreensivo com a rigidez do pai, ora se entristece com alguma notícia ruim ou problema vivido pela família, ora se alegra com alguma conquista – enfim, a história é tão bem contada e cativante que os leitores se envolvem e torcem pelos personagens como se fossem amigos próximos.

E o livro não é bom apenas por isso, além do enredo envolvente bem executado, ele é cheio de reflexões e questões filosóficas. Assim como a maioria das pessoas de certa idade e muito tempo pra pensar faz, Dona Lola se pergunta se valeu a pena tanto sacrifício, se a vida dos filhos é boa depois que cada um tomou o seu rumo, se faria tudo outra vez se fosse possível voltar no tempo… Enfim, faz uma autoanálise de tudo que vida e suas realizações:
O céu está sombrio e escuro, cinzento-escuro. O que foi a vida em todos esses anos? Sacrifício e devotamento. É como ver numa tarde assim de chuva, pesada de tristezas. Mas não sei lamentar; se fosse preciso recomeçar novamente, novamente faria minha vida a mesma que foi, de sacrifício e devotamento. Devo ser feliz porque cada filho seguiu o caminho escolhido

Não pense que é um livro chato, só com uma velha falando do passado e se lamentando, pelo contrário, assim como na vida real, há muita ação também: as brincadeiras das crianças, os debates ideológicos, as guerras que ocorreram na época, paixões e romances proibidos… se formos parar pra pensar, na vida real também tem muita emoção e luta, nós que muitas vezes nos concentramos na rotina diária e nas dificuldades que nos atormentam que esquecemos disso.

Um comentário:

  1. Esse livro é fantástico! Li há uns muitos bons anos e ele está no meu Kindle para ser relido!

    Beijos
    www.serleitora.com.br

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