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Análise da Música “Flores”


Composta por Charles Gavin, Tony Bellotto, Paulo Miklos e Sérgio Britto: "Flores" é uma música da banda de rock nacional Titãs, não é o maior hit deles mas fez um grande sucesso e é tocada até hoje, só que muita gente a escuta e até canta sem prestar atenção na letra, que fala sobre um tema muito delicado. Para essas pessoas que nunca perceberam como é uma música pesada, mais uma análise que pode mudar suas ideias sobre uma canção.
Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Ainda não dá pra saber sobre o que o eu lírico está falando, mas já dá pra perceber que ele está pensando muito enquanto se olha no espelho e que ele chorou, mas não por causa de um problema seu, mas por causa de umas flores que ele despedaçou no canteiro.
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro

Pulsos cortados? Uma tentativa de suicídio. E ele não parece está arrependido ou triste por isso, fala muito de flores que pode ser uma analogia à morte (por causa do enterro) ou, como eu interpreto, uma representação da paz de espírito que ele espera conseguir com o fim de sua vida. Vamos ver mais um pouco.
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

Ele está ficando inconsciente e tendo alucinações com flores no quarto (talvez devido à perda de sangue do corte no pulso), como eu disse antes flores são símbolos cheios de significados, aqui os retratarei como a paz que ele está sentindo em seus momentos finais.
A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes

Embora há quem acredite que uma pessoa se suicide para chamar a atenção, isso é uma grande mentira. A última coisa que pessoas deprimidas pensam é em outras pessoas ou o que vão pensar delas. Quando alguém chega ao extremo de se matar é porque a dor e tão grande que a única coisa que pode pará-la é a morte, e é isso que o eu lírico está pensando, a lástima (tristeza) dele é tão grande, tão insuportável, que esse foi o único jeito que ele encontrou de curá-las, através da dor (morte).

O soro nesse trecho é o remédio que ele encontrou para suas lástimas: funciona mas tem um preço, as lágrimas que sua morte pode provocar. As flores (ou seja a paz que ele conquistou) vieram através de sua morte (têm cheiro de morte).Tentando se justificar, ele fala na morte de novo (dor) que vai acabar com o sofrimento (cortes).
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem.

Está chegando o seu fim, e ele fica vendo/pensando nas flores e se recorda que algumas que não morrem, que pode significar que a paz de espírito que ele espera conseguir é eterna, definitiva como flores de plástico.

14 comentários:

  1. Uau Alê!
    Realmente nunca tinha pensado no peso da letra da música, sensacional! Acho que estamos condicionados a cantar, gostamos da melodia e decoramos a letra, mas nunca analisamos o que cantamos é isso acontece muito com as musicas em inglês Tb, na maioria das vezes nem sabemos o que está sendo dito.
    Amei o post, sensível e muito inteligente

    Beijokas

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  2. Olá... tudo bem??
    Eu amo essa música... quando estou muito deprimida e me sentindo sozinha eu a ouço, eu a canto... quando vou no Karaokê... sempre a canto... é uma música que mesmo com esse enredo melancólico, depressivo e até triste... me levanta e me faz enxergar as coisas por outro ângulo... foi a primeira vez que vi uma análise desta forma... achei muito legal... Xero!

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  3. Nossa, tô sem palavras (ou seria sem fôlego?)! Uau que interpretação. De fato, me encacho nessas pessoas que já ouviram essa música, já cantou, mas nunca parou para interpretá-la. Este post está magnífico! Parabéns pela sensibilidade!

    Beijos!

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  4. Olha, acho que gosto bem menos da música agora... eu era uma que nunca tinha prestado atenção na letra, mas acho suicídio uma coisa tão sem sentido, que agora quando eu ouvir acho que vou me sentir incomodada... questão de crença mesmo, não acho que isso acabe com dor nenhuma, muito pelo contrário. Mas foi uma ótima análise da música.

    Beijo.

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  5. Nossa Alessandro, acho que nem os próprios autores da canção interpretariam tão bem essa música, eu nunca parei para pensar muito em algumas canções, mas depois de conhecer seu blog passei a ouvi-las com mais atenção, e mesmo assim jamais seria capaz de uma analise tão minuciosa.
    Parabéns pela postagem!!

    Beijos

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  6. Olá, tudo bem?

    Amo Titãs, da formação original até a versão mais recente. Letras fantásticas, escolhas estilísticas complexas. Fruto de uma educação "fora da caixinha". Pena que hoje é tudo tão copia, tão igual e sem profundidade.

    Linda resenha, parabéns pela análise.

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  7. Olá
    Eu já tinha percebido do que a música falava, mas eu meio que interpretava o final como uma 'cura', como se ele tive sido salvo, estando no hospital ele se dá conta que é uma flor de plástico, e por isso não vai morrer. Eu meio que sou uma flor de plástico também. Depois que eu racionalizei um pouco a letra essa música passou a ser muinha preferida dos Titãs.

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  8. Nossa eu nunca tinha pensado nessa música desse jeito....
    Parece que nem curto ela mais kkkkk...
    Engraçado que se pararmos para reparar na música direitinho, da para entender tudo isso que você mostrou....
    Que legal
    Parabens, beijo

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  9. Olá, essa música renderia várias interpretações, mas acho que a sua foi bastante coerente. Acrescentaria apenas uma coisa: No último trecho "as flores de plástico não morrem" seguindo sua interpretação, poderíamos sugerir que o eu-lírico já está se aproximando da morte de fato e como que um pensamento final, conclui que "as flores de plástico não morrem". A meu ver, ele azul uma analogia entre as flores de plástico e a si próprio (deprimido, vazio, sem expectativas, indiferente, mesmo a beira da morte, porque a única coisa que lhe interessa é pôr um fim ao seu sofrimento). Logo, a morte não lhe atinge, ele se considera inerte e apático, uma flor de plástico.

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  10. Olá, essa música renderia várias interpretações, mas acho que a sua foi bastante coerente. Acrescentaria apenas uma coisa: No último trecho "as flores de plástico não morrem" seguindo sua interpretação, poderíamos sugerir que o eu-lírico já está se aproximando da morte de fato e como que um pensamento final, conclui que "as flores de plástico não morrem". A meu ver, ele azul uma analogia entre as flores de plástico e a si próprio (deprimido, vazio, sem expectativas, indiferente, mesmo a beira da morte, porque a única coisa que lhe interessa é pôr um fim ao seu sofrimento). Logo, a morte não lhe atinge, ele se considera inerte e apático, uma flor de plástico.

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    Respostas
    1. Muito boa sua leitura do final da música, faz muito sentido também! Obrigado por compartilhar.

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  11. Thamirys Pereira 19:10 16 Comentarios Titãs

    Andei pesquisando sobre a música Flores, do Titãs, e percebi que muita gente a interpreta de um modo que eu considero ousado demais. Muitos acham que o eu lírico dessa canção é uma pessoa morta, que enxerga as flores que são colocadas acima de seu caixão, no seu velório. Mas eu, o que não é novidade, discordo.
    Essa teoria é muito literal e essa música tem muito mais poesia do que muita gente pensa.
    Mas, então, que significado teria essa canção?
    Comecemos pelo título. Por que o título dessa música é Flores? O título dessa canção é Flores porque trata de flores. E o que são flores? Flores são frágeis, se despedaçam, se despetalam, secam. Ora, quem poderia ser tão frágil quanto uma flor? Por mais absurdo que pareça ser, o único ser vivo que apresenta a fragilidade das flores é o ser humano, sentimentalmente falando.
    Portanto, a música Flores não trata de flores em si, mas de algo parecido com as flores, as pessoas. E entender isso é o primeiro passo para entender o significado de Flores.
    Por serem tão frágeis, nem sempre é fácil lidar com as pessoas. Certas vezes, acabamos magoando quem não merecia. Outras vezes, acabamos magoados. E é esse o questionamento principal do eu lírico. Por que é tão difícil conviver com as pessoas sem magoá-las ou ser magoado? Então, ele olha-se no espelho até cansar, buscando uma resposta. E chora por ter "despedaçado" as pessoas mais próximas a si. E, mais do que chorar por ter machucado as pessoas mais próximas a si, o eu lírico ainda sofre por também estar machucado por inteiro.
    É difícil conviver com elas, mas as pessoas estão por todo o lado. Abaixo de nós, acima de nós, em tudo que vemos, em tudo que fazemos, em tudo que sentimos há a atividade humana. E o que fazer?
    Não há nada a fazer. Apenas podemos esperar e deixar que a mágoa decorrente de nossos relacionamentos fracassados nos corroam. Podemos apenas esperar que a dor cure tudo isso porque, e todos já devem saber, não existe uma cura médica para isso.
    O que o eu lírico dessa canção talvez não tenha entendido é que é normal nos magoarmos em nossos relacionamentos, nos machucarmos e machucar as pessoas. Para o eu lírico, pessoas já não são sinônimo de entusiasmo, são sinônimo de morte, visto que todas acabarão morrendo.
    E quando o eu lírico fala que "as flores de plástico não morrem" podemos entender que ele acredita que tudo seria mais fácil se as pessoas fossem robôs, que não sofreriam, que não se machucariam, que não feririam os sentimentos dos outros, que, como flores de plástico, não morreriam.
    Veja bem, essas são apenas algumas reflexões que fiz sobre a canção Flores, do Titãs, mas talvez a dor que o eu lírico sente seja mais do que o arrependimento de ter machucado alguém. Talvez esta dor seja a dor de ter perdido alguém, literalmente por meio da morte, a quem ele machucou. E talvez seja por medo de machucar outro alguém e perdê-lo que ele repete que "as flores de plástico não morrem", como se ele mesmo soubesse que fará muito mal a quem conviver consigo.
    Acho que paro por aqui, antes de mudar mais uma vez a minha interpretação dessa música e sugerir que o eu lírico é um psicopata que acaba matando todos ao seu redor.

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