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Um Conto de Natal – A maior história natalina de todos os tempos


Título Original: A Chritsmas Carol
Autor: Charles Dickens
Editora: Scipione Ano: 2008 (o original de 1843)
Páginas: 48
Nota: 4/5


Sinopse: O rico e avarento Ebenezer Scrooge detesta o Natal e o comportamento das pessoas nessa época do ano. Mas, ao se aproximar mais um período natalino, ele recebe a visita do espírito de seu ex-sócio, que não consegue encontrar paz por não ter sido bom nem generoso em vida. Ele explica que Scrooge ainda tem uma chance de se redimir e que, para isso, precisa receber a visita de três espíritos

Mesmo se você nunca tiver ouvido falar nesse livro de Dickens, é quase certo que já viu alguma adaptação dele: seja em forma de livro, filme, seriado, desenho animado, musical etc. Assim como o Papai Noel, os CDs com canções típicas e o Panetone, esse clássico se tornou um dos símbolos natalinos que, mesmo informais e sem esse reconhecimento, sempre aparecem em todo final de ano.


O Tio Patinhas, o playboy Connor Mead (da comédia Romântica Ghosts of Girlfriends Past no Brasil Minhas Adoráveis Ex-Namoradas), o Capitão Gancho, Batman O Cavaleiro das Trevas e centenas de outros personagens de diversos universos, que aparentemente não possem nenhuma ligação, na realidade possuem uma coisa em comum: todos eles já foram visitados pelos Espíritos dos natais do Passado, Presente e Futuro. Esse encontro mudou a forma como todos eles viam a vida e essa mudança é o roteiro simples porém genial que salvou o Natal de Charles Dickens e tem encantando milhões (senão bilhões) de pessoas em todo o mundo desde então.

Para quem não sabe, apesar de ser reconhecido hoje como um dos autores mais importantes do período Vitoriano e ser aplaudido mundialmente, Charles Dickens era pobre na época que escreveu A Christmas Carol e estava atolado de dívidas, para tentar pagá-las ele resolveu escreveu um “Livrinho de Natal”, e junto com o ilustrador John Leech lançou-o em 19 de dezembro de 1843. O sucesso foi imediato, na primeira semana vendeu mais de 6 mil cópias (o que já é muito hoje, era um estrondoso sucesso no século XIX).

Analisando estilisticamente, a obra não tem nada de especial: os personagens são planos (ou sejam, possuem uma única característica que se mantém linearmente ao longo da trama), o narrador conversa com o leitor mas se limita a contar a história e fazer alguns comentários, não é sarcástico ou filósofo como um narrador de Machado de Assis, por exemplo; o enredo é linear, embora em certa cena eles voltam ao passado isso faz parte do contínuo e a história é contado do começo ao fim, a linguagem é simples e coloquial (para os padrões da época), não há descrições poéticas nem grandes surpresas, o final é bem previsível.

Então, o que justifica tanto sucesso? O que fez esse livro ser um clássico tão conhecido e rescrito tantas vezes nesses quase 200 anos de sua publicação? Eu suspeito que a resposta está no que FOI DITO, e não na FORMA COMO FOI DITO.

A ideia original de Dickens, apesar de ser simples, foi genial por dois motivos: primeiro, fala sobre a esperança de que uma pessoa pode melhorar a si mesmo, um ideal que deve ser perseguido em todas as épocas, por mais egoísta que alguém possa ser, em algum momento da sua vida deve se perguntar “eu estou fazendo o meu melhor”, “eu fiz um bom trabalho como um ser humano”, “sou realizado pessoalmente” etc. Ebenezer Scrooge, já tinha esquecido dessas perguntas filosóficas há muito tempo, mas é forçado é encará-las quando as suas escolhas e o resultado delas são esfregadas na sua frente pelos espíritos, o que provavelmente leva o leitor a pensar sobre sua própria vida e suas escolhas.

O outro motivo é o questionamento que Scrooge faz ao Espírito do Natal Futuro “A conduta de um homem pode fazer prever o seu fim, – disse Scrooge, – mas se ele muda de vida, também o seu fim não será modificado?” É uma indagação antiga da humanidade, o homem pode mudar o seu destino ou o que está escrito deve acontecer independente do que ele faz? O Mito de Édipo e Jocasta é uma alegoria a essa questão, criado milhares de anos antes d’O Conto de Natal, a humanidade anseia por essa resposta e infelizmente, com toda nossa Filosofia e Progresso Científico, ainda não podemos e talvez nunca poderemos, respondê-la definitivamente.

Como pode se perceber, apesar de parecer uma história infantil sobre o Natal, é uma obra muito profunda que trata de questões relevantes sobre nossas escolhas, suas consequências e a própria vida. Um clássico que merece ser regravado e revivido por muitos mais séculos ainda.

12 comentários:

  1. Oi Alessandro, tudo bem?
    Gostei muito da sua resenha! Esta época do ano tendemos mesmo a ficar reflexivos e caímos nestas questões existenciais. Acho que por esse motivo o livro de Dickens faz tanto sucesso! Eu li fazem muitos anos, mas lembro que gostei muito e até hoje gosto de assistir as adaptações que surgem.
    Um Feliz Natal amigo!
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  2. E realmente nunca ouvi falar mesmo no livro haha. Nunca li nada do Dickens.
    Gostei da sua resenha, é uma ótima leitura para o final de ano. Beijos!

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  3. Olá!

    Eu conheço o livro por causa das mais diversas adaptações. Adorei sua análise, jamais teria pensado nessa obra sob esse ponto de vista...

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  4. Oi, Alessandro!
    Concordo com você, o teor do que está no livro realmente chama mais atenção do que a forma narrativa dele. Como você mesmo salientou, este conto de Dickens, apesar de muitos não lerem, é um dos mais conhecidos e adaptados em diferentes meios literários. Tenho a impressão de que nunca sairá 'de moda', pois estas questões de fundo filosófico não têm resposta... Bom 2017 p vc!

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  5. Olá! Eu amo esse conto! Foi como você disse, ele nos traz reflexões importantes e essas reflexões ultrapassam séculos. A mensagem que ele passa é tocante e muito bonita. Feliz natal! Beijos!

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  6. Nossa adorei, amo essa época e adorei o tema do conto, não conhecia ainda. Felizmente agora irei conhecer

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  7. Olá! Nunca li esse livro, mas já conheço essa história (quem não conhece? rs), provavelmente pelo filme do Tio Patinhas. haha Fiquei com vontade de lê-lo, para saber a história original. É sempre bom refletir sobre nossa vida.
    Beijos e bom fim de ano! ^^

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  8. Essa questão do destino é realmente bem curiosa, e dificilmente teremos uma resposta... Rs... Sou louca para ler esse livro, amo uma das adaptações, um filme antigo, nem sei quantas vezes já assisti. Gostei de saber que a obra, apesar de simples, é profunda.

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  9. Oii, tudo bem?

    Esse livro é maravilhoso! Já vi uma adaptação e gostei muito também.
    Essa é a época em que todos nós paramos para pensar no que queremos, nos nossos atos, em como ser melhor e no que o destino trará. E é muito bom quando um livros nos faz refletir!

    Beijos

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  10. Oi!
    Conheci Um Conto de Natal pela Disney, numa adaptação com o Tio Patinhas que é incrível! Só depois, quando fiquei mais velha foi que soube do livro do Dickens e tudo o mais e desde então essa história não deixa de encantar. Parabéns pelo texto!
    Bjs!

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  11. Oi, tudo bem?
    Acredita que eu nunca ouvi falar sobre esse conto antes? Mas lendo agora sobre ele fiquei interessada. Fiquei com vontade de ler e saber por minha própria leitura o que esse conto tem de especial. Vou procurar aqui pra ler.
    Beijos

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  12. Olá Alê!!
    Já assisti a adaptação cenográfica dessa obra várias vezes, e a do Tio Patinhas bate Record, não imaginava que ele fosse um livro e adorei o post, as curiosidades e a descoberta de um pouco mais do mundo literário.
    Ótimo post

    Beijokas

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