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Maurício de Sousa: A História que não está no Gibi - o ídolo de gerações



Autor: Mauricio de Sousa (Em depoimento a Luís Colombini)
Editora: Primeira Pessoa
Ano: 2017
Páginas: 336
Nota: 4,7/5

Sinopse: "Ideias mudam o mundo - poucos chavões são tão verdadeiros e inspiradores. Não mudei o mundo nenhuma vez. Mas, à minha maneira, acho que o melhorei um pouquinho ao gerar bons momentos, diversão e entretenimento para milhões de brasileirinhos. Raros são os autores, no Brasil e no exterior, que podem dizer que foram lidos com o mesmo prazer por avós, filhos e netos. Ou que carregam na bagagem a honra e o privilégio de saber que suas criações, com gibis ou livrinhos agindo como cartilhas informais, ensinaram pelo menos três ou quatro gerações a ler - disparado, meu maior orgulho. Em última instância, sou um sobrevivente, um homem que começou do nada, realizou seu sonho e não quer desistir dele de jeito nenhum. Enquanto eu estiver por aqui, saiba que foi você quem sempre alimentou meus sonhos. Depois que eu partir, não se esqueça de que ideias, e também sonhos improváveis, é que movem o mundo. De um jeito ou de outro, sempre estarei com vocês." - Mauricio de Sousa

Se antes minha admiração por Maurício de Sousa já existia, isso foi comprovado ao ler a biografia Maurício de Sousa – A História que não está no Gibi.  Já vi o quadrinista pessoalmente no ano de 2015, em um evento literário da minha cidade. Naquele dia presenciei de perto sua paixão ao falar sobre suas criaturas e o sorriso ao ver o prestígio de crianças, jovens e adultos pela Turma da Mônica.

O dia em que Mauricio criou coragem e apresentou seus desenhos pela primeira vez a um jornal é o episódio de abertura do livro. Na ocasião, o diretor de arte da Folha de S. Paulo foi categórico e o aconselhou a desistir dos desenhos, pois não davam futuro. Quase 50 anos depois, Maurício comprovou por meio de seu esforço que o conselho estava “meio errado”. Enfrentou aluguel atrasado, cuidou de filhas pequenas com pouco dinheiro no bolso, mas não se deixou abalar ou desistiu dos desenhos. Pelo contrário, sempre acreditou que seria possível se destacar, mesmo em uma época que aparentemente não parecia propícia a um desenhista de histórias em quadrinhos. 

Há capítulos dedicados à sua infância em Mogi das Cruzes e São Paulo. Em Mogi, onde nasceu e viveu grande parte de sua meninice, extraiu muitas das características presentes em suas historinhas. Maurício até comenta que, ao ganhar um prêmio no Festival Internacional de Quadrinhos de Luca, elogiaram suas tirinhas pela forma como representava o mundo infantil. Para ele, isso não era nada demais e não havia nada de original, as situações eram banais e cotidianas. Porém, os jurados não pensavam dessa forma, viam essas particularidades como diferencial.


Seu primeiro contato com um gibi não pôde deixar de ser mencionado. Encontrado no lixo, totalmente surrado e sem capa, aquele monte de papéis rapidamente se tornou seu maior vício. Devorava autores rapidamente e relia os quadrinhos quantas vezes conseguisse, seu quadrinista preferido era Will Eisner. O futuro foi capaz de juntar ídolo e fã, os transformando em amigos. Eisner até desenhou seu famoso personagem Spirit com Mônica. Outro grande amigo de Maurício foi Osamu Tezuka, considerado o pai dos mangás. Eles se conheceram em 1985 e mantiveram contato até a morte de Tezuka, em 1989. Planejavam juntar seus personagens em um projeto, porém isso não se concretizou devido ao falecimento do japonês. 

Observando a carreira de Maurício como espectadores, imaginamos que há mais momentos positivos do que negativos. Os positivos realmente se sobrepõe, mas muitos projetos deram errado, como revistinhas para personalidades famosas que não foram em frente ou um contrato com a Rede Globo, talvez o pior envolvendo a empresa Maurício de Sousa Produções. Muitas promessas e quase nenhum retorno. O início de sua carreira também não é dos melhores, com muito trabalho e pouco retorno financeiro. Só que desistir nunca esteve nos seus planos, a persistência esteve com ele mesmo na época em que foi repórter da mesma Folha de S. Paulo, no qual levou seus desenhos e recebeu um não.

As gerações do passado e do presente, leitoras da Turma da Mônica ou da Turma da Mônica Jovem, irão se deliciar com as histórias de Maurício de Sousa. Há fotos de momentos da vida do quadrinista, tornando o leitor ainda mais próximo desse “bate-papo”. A leitura flui como se o autor estivesse contando suas aventuras ao seu lado, em uma conversa informal. Aos 81 anos, Maurício e suas criaturas ainda tem o que apresentar ao mundo? Acredito que sim.

Um comentário:

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